Quartas e quita-feiras vão ser longas. Nesses dias tenho aula com o mesmo professor, um estudioso de metodologia, digressivo pra caralho, que leva as aulas dele quase até a meia noite, horário em que os guardinhas da faculdade já estão jogando a gente pra fora das salas de aula pra poderem trancar o prédio. Adorei a primeira aula dele, e acredito que o semestre como um todo vai acabar correndo muito bem. O cara é muito bem humorado, é doido por tecnologia, e dá uma matéria cujo tema base [meta-teoria, filosofia das ciências, metodologia em ciências sociais, etc, etc, etc] eu gosto muito, tudo pra dar certo.
O que, entretanto, me fisgou ontem foi a possibilidade de algo dar certo. Lá pelas tantas da aula, eu já todo vendido pro professor, escuto a seguinte frase vindo dele: “Se uma pessoa faz Ciências Sociais é sinal de que ela está insatisfeita com o mundo”. Se não foi a mesma frase, com as mesmas palavras, o sentido era exatamente o mesmo das que a minha primeira professora de sociologia disse pra gente nos primeiros dias de aula. Naquela época esse tipo de idéia chegava a me machucar, e hoje já vejo um belo sentido nelas – nem sempre um sentido belo, mas pelo menos elas já fazem sentido. Parece que a insatisfação com o mundo, o desencanto com o curso das coisas acaba entrando na pele da gente, criando alicerces, e fazendo morada nos olhos. Daí pra frente é difícil ver as coisas um bom ponto de descanso, de final, de verdade.
Metódico? Não, metodológico!
Tem duas frases que me vieram a cabeça com muita força quando comecei a pensar se havia algum motivo pra gostar tanto das aulas de metodologia, a primeira é de um seriado chamado Dexter: “Sempre gostei de manuais”, a segunda eu disse pra uma menina fantástica: “Nós temos um meta-relacionamento”.
A gente pode dividir a vida em três instancias sem muito problema, três instancias que estão juntas na realidade e que nós dividimos pra ficar mais fácil de pensá-las: teoria, prática, e o que a gente pode chamar de metas, ou teoria-da-teoria. Podemos falar disso, respectivamente, como o que conhecemos, o que fazemos, e o que sabemos sobre e como o que conhecemos. Talvez esteja ai muito do que estrutura o meu jeito de pensar: eu gosto do método, de saber e pensar o que liga a teoria a ela mesma e a pratica. Na minha ciência, no meu romance, na minha casa, em mim.
E como dizem que gosto não se discute.
;)
Bons Sonhos.



