Metódico? Não, metodológico!

Posted in Academia with tags , on 20/08/2009 by Gu.

Quartas e quita-feiras vão ser longas. Nesses dias tenho aula com o mesmo professor, um estudioso de metodologia, digressivo pra caralho, que leva as aulas dele quase até a meia noite, horário em que os guardinhas da faculdade já estão jogando a gente pra fora das salas de aula pra poderem trancar o prédio. Adorei a primeira aula dele, e acredito que o semestre como um todo vai acabar correndo muito bem. O cara é muito bem humorado, é doido por tecnologia, e dá uma matéria cujo tema base [meta-teoria, filosofia das ciências, metodologia em ciências sociais, etc, etc, etc] eu gosto muito, tudo pra dar certo.

O que, entretanto, me fisgou ontem foi a possibilidade de algo dar certo. Lá pelas tantas da aula, eu já todo vendido pro professor, escuto a seguinte frase vindo dele: “Se uma pessoa faz Ciências Sociais é sinal de que ela está insatisfeita com o mundo”. Se não foi a mesma frase, com as mesmas palavras, o sentido era exatamente o mesmo das que a minha primeira professora de sociologia disse pra gente nos primeiros dias de aula. Naquela época esse tipo de idéia chegava a me machucar, e hoje já vejo um belo sentido nelas – nem sempre um sentido belo, mas pelo menos elas já fazem sentido. Parece que a insatisfação com o mundo, o desencanto com o curso das coisas acaba entrando na pele da gente, criando alicerces, e fazendo morada nos olhos. Daí pra frente é difícil ver as coisas um bom ponto de descanso, de final, de verdade.

Metódico? Não, metodológico!

Tem  duas frases que me vieram a cabeça com muita força quando comecei a pensar se havia algum motivo pra gostar tanto das aulas de metodologia, a primeira é de um seriado chamado Dexter: “Sempre gostei de manuais”, a segunda eu disse pra uma menina fantástica: “Nós temos um meta-relacionamento”.

A gente  pode dividir a vida em três instancias sem muito problema, três instancias que estão juntas na realidade e que nós dividimos pra ficar mais fácil de pensá-las: teoria, prática, e o que a gente pode chamar de metas, ou teoria-da-teoria. Podemos falar disso, respectivamente, como o que conhecemos, o que fazemos, e o que sabemos sobre e como o que conhecemos. Talvez esteja ai muito do que estrutura o meu jeito de pensar: eu gosto do método, de saber e pensar o que liga a teoria a ela mesma e a pratica. Na minha ciência, no meu romance, na minha casa, em mim.

E como dizem que gosto não se discute.

;)

Bons Sonhos.

Bora!

Posted in Narrativas with tags , on 18/08/2009 by Gu.

Senhoras e Senhores, bem vindos a São Paulo! Hoje amanheceu um dia frio, então tomara que você tivesse uma manta nos pés e uma morena pra esquentar! Um semestre todo novo em folha pra melindrosas e sonhadores. Negócio bacana esse de prestar atenção no tempo, né? Até agora eu tenho levado minha vida bem tranqüila, em ciclos bem marcados pela escola e pela facul. Nos últimos anos a vida foi se organizando em semestres, e parte do animo agora está em ver que tem um novo começando. Isso significa que vou dar de cara com matérias novas, professores diferentes, gente nova por todo lado, e um monte de desafoioos novos pra cabeça. To animado. E o negócio é aproveitar mesmo, afinal, a faculdade ta acabando, falta realmente pouco pra eu me formar e mudar pra outra fase da vida! Não me entendam mal em todo caso. Não to feliz por estar acabando a faculdade – nem particularmente penalizado – ou feliz por estar me aproximando de outro patamar pro qual eu sempre me mirei. O que me deixa animado é estar por aqui e conseguir ver a coisa toda acontecendo. Estar conseguindo curtir o que tenho lido, apreendido; viver a vida de republica, com os pesares e os gozos que ela oferece. Pirar aqui em Sampa, cansar do instituto de filosofia; endoidar e entrar num curso inusitado sobre vinhos; internar-me na casa dos meus pais por conta de uma pandemia relacionada com porcos que espirram e perder noites de sono por conta de um coração partido. O legal disso tudo é que, apesar de nem tudo sair como eu quero e de eu não conseguir curtir tanto as coisas como seria o ideal pra mim [a preguiça entra na frente daquele livro bacana q você queria terminar de ler e não conseguiu; ainda não começamos a malhar pra perder essa barriguinha feia; bateu medo na hora de se entregar de olhos fechados pra alguém que só ia te fazer bem], mas nossa como as coisas então acontecendo, e como eu to curtindo isso! Quando você menos espera te entregam um carro velho, você da nome pra ele, desmonta, limpa, começa a montar de novo, e logo tem um carro pra poder cair na estrada com os amigos. Aprende os modelos de argumentos dedutivos e que pesquisas científicas podem ser motivadas por perguntas sem respostas. Convida alguém querido pra preparar contigo uma receita secreta de família. Fica feliz, inusitadamente, por tomar um fora daquela menina que decidiu não trair o namorado. Uns antes de voltar pra São Paulo estava com medo de como as coisas iam rolar. Quando cheguei ontem rolou uma sensação muito boa de “eu dou conta”. Quando entrei no site da faculdade e vi que estou bem próximo de me formar rolou um sossego de “to terminando”. Descobri que andaram dormindo na minha cama, que andaram falando de mim. Agora, prestes a ir pra minha primeira aula do semestre com um professor que sempre quis conhecer [o Dr. Carlos Serrano], e ouvindo Donavon Frankenreiter, eu só consigo me sentir animado pra ver no que é que a vida vai dar. Meus lindos, fiquem bem, e tenham todos bons Sonhos.

Partida

Posted in Narrativas on 01/08/2009 by Tha.Lima

*Ao imaginarem está cena, favor imaginar tudo colorido, menos a Mulher que espera.*

.Fico feliz por ter voltado.
era o que eu esperava que acontecesse.
mas fiquei com medo de alimentar esperanças

deixei durante muito tempo seu livro aberto na mesma página.
o roupão pendurado no bamnheiro.
a camisa e a gravata que usaria no dia seguinte ainda estão sobre a cadeira.

nada foi mudado
tudo estava a sua espera.
sempre esteve
e já que vais partir de novo
Sempre estará.

* * *

Ele sai pela mesma porta pela qual entrou nos dois minutos anteriores, pela qual não entrava a três anos, pela qual não entrará nos proximos seis… quando irá entrar pegar todo meu dinheiro dizer Adeus e fechar a porta pela qual nunca amis entrará e que esperará eternamente sua volta.

* * *

Então ela se vira, senta na mesma cadeira de balanço que sentou durante três anos, para esperar seu amado, e agora para esperá-lo outra vez,…

24/01/07
(…!)

“Yeah you do.”

Posted in Musica, Seriados with tags , on 25/07/2009 by Gu.

I hear the drums echoing tonight
But she hears only whispers of some quiet conversation
Shes coming in 12:30 flight
The moonlit wings reflect the stars that guide me towards salvation
I stopped an old man along the way
Hoping to find some long forgotten words or ancient melodies
He turned to me as if to say, hurry boy, its waiting there for you

Chorus:
Its gonna take a lot to drag me away from you
Theres nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in africa
Gonna take some time to do the things we never had

The wild dogs cry out in the night
As they grow restless longing for some solitary company
I know that I must do whats right
Sure as kilimanjaro rises like olympus above the serengeti
I seek to cure whats deep inside, frightened of this thing that Ive become

Chorus

(instrumental break)

Hurry boy, shes waiting there for you

Its gonna take a lot to drag me away from you
Theres nothing that a hundred men or more could ever do
I bless the rains down in africa, I bless the rains down in africa
I bless the rains down in africa, I bless the rains down in africa
I bless the rains down in africa
Gonna take some time to do the things we never had

Tem mil motivos pra essa musica estar aqui… O fato d’eu gostar do poprock dos anos 80 é um deles… Adorar Chuck é outro… Mas o que me ganhou mesmo foi o gordinho do 1:42 do vídeo.

Its gonna take a lot to drag me away from you
Theres nothing that a hundred men or more could ever do

Bons Sonhos.

Que tolo fui esta noite.

Posted in Sem categoria on 14/07/2009 by leo.

Noite passada eu sonhei que estava no meu antigo colégio, o lugar era assombrado e um drama teen estava rolando: Minha atual, fictícia e imatura namorada estava no banheiro discutindo com a sua amiga língua de cobra e as duas concordaram que minha amada deveria “dar” pro meu atual, fictício e nem um pouco confiável melhor amigo, só pra me cutucar… Cutucar?! Sem pomada, indiscutivelmente.

Mas aí tinha essa menina de óculos e dente torto que tinha uma quedinha por mim e ouviu a estória toda e veio correndo me contar, encerrando assim meu sonho… Puta que pariu! Como parecia meu colegial de verdade! Assombrações que atendiam por “professores” e drama teen rolando por todos os lados.

E falando em drama teens, eu me lembrei de um que surgiu graças a um folheteen.

No inicio da década de 2000 eu estava começando meu colegial e vivendo aquele saudoso tempo do auge da paranóia adolescente. A minha rebeldia era expressa através de inúmeras maneiras e uma delas, talvez a mais evidente, era a minha afofada cabeleira.

Não é de conhecimento geral, mas houve uma época da minha vida onde eu tinha um cabelo Slash’s signature e tocava Hard Rock farofa por aí.

cabelo

Antes que meu cabelo atingisse a maior idade; Quando ele era apenas um cabelinho em puberdade e transitava, assim como eu, entre um cabelo jovem curto e o longo já mais desenvolvido, eu necessitei de alguns acessórios para deixar o processo menos incomodo e ridículo para os olhos alheios: Comecei a usar tiarinha.

Inicialmente era bacana: audacioso pra época e não ficava feio. Porém, pouco tempo depois da minha nova tendência fashion o programa de maior sucesso entre meus colegas de escola apresentou um novo personagem com o cabelo exatamente igual ao meu… Alguém se lembra do Mau Mau?

caua-reymond-5

Filho da puta de Mau Mau: vulgarizou e popularizou o meu visual e então todo mundo deixou seu cabelo crescer e passou a usar uma tiarinha também.

Durante anos cresci com rancor em meu coração e planejei, incansavelmente, a minha vingança. Maldito… Mau Mau! Esse nome é tão ruim que o meu Microsoft Word tenta excluir a segunda metade o tempo todo!

Anos após, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, eu obtive a minha vingança e assim roubei a namorada do Bad Bad!

leojo

Chupa essa Mau Mau!

Posted in Autores, Musica with tags , , on 29/06/2009 by Gu.

Pra gostar de Beatles.

Bons Sonhos

Lugar Nenhum

Posted in Autores, Narrativas with tags , , on 26/06/2009 by Gu.

Passeio pela cidade de baixolugar nenhum neil_gaiman

Começou assim: “O Gustavo lembra bastante um tal de Marquês de Carabas, rs”. Não é o tipo de coisa que se dia a um curioso ignorante. Quem diabos é esse Marquês? Carabas¹ é um personagem menor dos contos de fadas, o dono do famoso Gato de Botas. No conto o garoto que nasce filho de um moleiro e herda apenas o gato forja ser marquês e acaba casando, sem esforço nenhum, com a filha do rei.

“Não tem como dizerem que lembro este marquês e não me sentir meio ofendido! Um manézinho que consegue tudo as custas do gato, sem fazer nada além de fingir ser quem não é…”

O que não contava é que deus Google fosse me mostrar outro Marquês; de mesmo nome, mas com outro porte. Ele é personagem do livro Neverwhere de Neil Gaiman. O único livro aparentado de Gaiman que eu tinha lido era o Books of Magic – que recomendo muito também. Fiquei com vontade de ler o livro, comentei com algumas pessoas, mas fui atrás dele quando descobri que mais dois amigos, que não tem nada ver um com o outro, estavam lendo o livro também. Um desses, uma grande amiga por sinal, disse que não me via no Marquês. Segundo ela eu estaria mais pro personagem principal do livro: Richard Mayhew.

E foi assim, com essa bagagem, que cheguei ao livro. Puta livro gostoso de ler! Depois das  tramas maravilhosas de  Sandman e Books of Magic, depois de tantos personagens que me marcaram tanto, eu virei alguém de pouco parâmetro pra falar das coisas que tem a mão do Gaiman. Pontuo como vinho: parto do pressuposto de que é perfeito e vou tirando um ponto aqui e outro acolá, mas nunca passa nem perto do mediano! Parece-me sempre ter muita qualidade, sempre. Tanto que depois de começar a ler os livros dele essa já é parte das minhas atividades previstas pras férias: ler Filhos de Anansi e… e… não sei, Coraline ou Stardust.

Bem, a história é boa mesmo, tanto que rendeu livro, HQ e até seriado pela BBC. Ela gira em torno de Richard, um rapaz pacato e esperto o suficiente pra viver uma vida boa e sem pormenores, sempre sob as rédeas do trabalho e da namorada. Até que numa noite ele salva uma garota e perde sua vida. Ele não morre, simplesmente desaparece, sua existência no mundo passa a ser ignorada. Ao salvar a garota ele muda. Sua existência muda. A partir de então ele faz parte de outro mundo, de outra cidade, de um novo jeito de ver o mundo. Ele agora faz parte da Londres de Baixo, uma cidade mágica onde não há metáforas, tudo é real; uma cidade onde promessas e favores valem mais do que qualquer coisa. E na companhia de Door, Carabas, e Hunter ele conhece essa nova cidade e foge dos adoráveis Mr. Croup e Mr. Vandemar. Li a HQ e o livro, recomendo o segundo, a história é infinitamente mais rica, bem como os personagens.

Bem, no fim das contas não me descobri nem Marquês, nem Richard, mas consigo me ver em ambos. Comecei a ler o livro pra matar a curiosidade sobre como duas pessoas de quem gosto muito me encaram. Achei uma experiência divertidíssima, e o livro acabou valendo mais em si do que pelas opiniões alheias. Ainda sim fica aqui a frase que fez minha prima ma aproximar de Carabas:

“Ele se chama marquês de Carabas. É inescrupuloso, trapaceiro, talvez até mesmo um monstro. Se você tiver algum problema, vá até ele. Ele a irá proteger, minha filha. Ele tem a obrigação de protegê-la.”

- Portico para Door em seu quinto aniversário, pg 342

[O sublinhado é da minha prima]

1 – Escreve-se como paroxítona [acredito que em decorrência da origem inglesa do livro], mas insisto em pronunciar como se fosse oxítona, Carabás, que soa muito melhor.

Bons Sonhos.